segunda-feira, 2 de maio de 2016

Replay Cine #14 - Capitão América: Guerra Civil


Olá, o nosso pseudo-crítico oficial, Neandr Andrade, assistiu ao novo filme da Marvel e terceiro longa solo do herói e trouxe sua resenha, então aperte morfar e confira.

O mundo está assustado após danos em incidentes que envolvem os Vingadores. O governo pretende implantar um tratado de responsabilidade para controlar as ações dos Vingadores. Steve Rogers é contra essa iniciativa do governo, por outro lado Tony Stark é a favor desse tratado. Alianças são feitas para com as razões do Steve Rogers, enquanto outras são estabelecidas para o lado do Tony Stark. Assim, temos o confronto de duas causas fortes com personagens super-poderosos de ambos os lados equilibrando forças e apresentando uma nova perspectiva para o telespectador, tanto o amante da HQ, como o amante dos estúdios Marvel nas telonas.

Direção

A Direção é dos irmãos Russo e podemos dizer que eles são os meninos de ouro dos estúdios Marvel, não é atoa que a eles foram confiados os dois próximos filmes dos Vingadores. O ritmo narrativo do filme é excelente fazendo de forma bem natural o papel primordial desse filme que é a continuidade do último filme do Capitão América: o Soldado Invernal. O afeto fraterno entre o Steve Rogers (Capitão América) e o Buck (Soldado Invernal) e a relação de longa data dos personagens é que movimenta bem a trama e apenas após um evento bem significativo, sendo este o elemento fez a “Guerra Civil” estourar. Isso é muito bom, pois o novo longa do Capitão é realmente um filme do Capitão América e não uma produção dos Vingadores disfarçado. O filme é muito coerente em questões que nele mesmo é proposto como heroísmo vs vigilantismo e liberdade vs responsabilidade. Essa coerência consegue envolver bem o telespectador que possivelmente pode achar carisma por ambos os conflitos, pois os dois pontos de vistas são compreensíveis e justificam bem as decisões e atitudes tomadas pelos lados envolvidos neste embate.

Personagens

Um dos grandes desafios desse filme é equilibrar bem as forças de ambos os lados de modo que um lado não fique mais fraco que o outro, fazendo que a história seja empurrada a diante.

A Feiticeira Escarlate interpretada por Elizabeth Olsen, está tentando se resolver com as consequências de seus poderes. Já, o Visão por Paul Bettany, está em sua busca para entender elementos do comportamento humano, o que dá um certo tom de graça ao filme.

A Viúva Negra por Scarlett Johansson, é quem melhor representa o conflito moral dessa trama, pois ela é a personagem que está mais em cima do muro. No caso do Homem Formiga de Paul Rudd, tem ótimas cenas de ação e dá um tom cômico ao filme que leva o mais carrancudo da plateia a ser arrebatado por essa simpatia.

O Gavião Arqueiro por Jeremy Renner, é um problema no filme, na verdade já era nos outros filmes. O personagem tem problemas de desenvolvimento que apesar de ter sido desenrolado em A Era de Ultron, ele ainda é uma questão a ser trabalhado.

O Pantera Negra por Chadwick Boseman, é um dos melhores personagens do filme. Ele não é gratuito, não está ali por motivações envolvendo política, amizade, ou diplomáticas. Ele tem seus próprios objetivos e isso faz dele certamente o super-herói mais imponente dessa trama, o uniforme dele está irretocável passando bem essa imponência de que estou falando e nessa batalha, se existe um personagem que eu não gostaria de enfrentar seria o Pantera Negra. Estou ansioso para ver uma história de origem dele.

O Homem-Aranha por Tom Holland ...putzzz! É oficial, temos o melhor Homem-Aranha dos Cinemas. Ele representa bem o que é o Homem-Aranha das HQs, ele não é velho de mais como o antes representado pelo Tobey Maguire e nem aquele Homem-Aranha descolado, todo skatista com o cabelo arrepiadinho representado pelo Andrew Garfield. Ele é o Homem-Aranha das HQs, o nerd de cabelinho lambido para o lado, gênio e adolescente. Ele é sem dúvida a melhor coisa do filme, suas lutas são elegantemente performáticas, seus diálogos são engraçadíssimos com aquele humor bem típico do Homem-Aranha quadrinhesco.

O Capitão América dos Cinemas por Chris Evans, (observe que eu disse DOS CINEMAS), nunca foi o personagem mais interessante e nem o mais carismático. Mas vale ressaltar que a interpretação de Chris Evans está muito boa, muito mais afiada do que de costume. Isso se deve ao posicionamento do Capitão em relação ao conflito que faz dele um pouco menos "escoteiro", elevando o personagem, munindo melhor o ator e fazendo com que seja bem mais carismático.

O Homem de Ferro representado pelo Robert Downey Jr. nunca esteve tão temperamental, sombrio e vulnerável. Ele sente todos os problemas causados pelas as ações anteriores dos Vingadores e temos que dá honra a quem merece honra ... o Robert Downey Jr. é um excelente ator.

O (Barão) Zemo, o "vilão principal" interpretado por Daniel Bruhl é um dos grandes problemas do filme. Apesar de Bruhl ser um bom ator e trazer até uma boa interpretação para o (Barão) Zemo, que até tem motivações. No entanto é inegável que o plano dele não faz muito sentido e para o plano ser concretizado é necessário uma cadeia de eventos que beiram a coincidência e o filme teria fluido perfeitamente sem ele, o que faz a aparição dele quase que gratuita. A Marvel está devendo aos cinemas um vilão forte, o que não acontece desde o Loki.

O Conflito

O conflito entre o Steve Rogers e o Tony Stark é muito recompensador. As farpas trocadas entre eles são faíscas que vemos desde os primeiros encontros entre esses dois personagens, desenvolvidas desde o primeiro filme dos Vingadores. Já em Guerra Civil, o conflito entre o Capitão América e o Homem de Ferro é uma coisa esperada desde antes, quando no primeiro filme de Os Vingadores o Capitão se estranha com o Tony e diz mais ou menos assim ..."coloca sua armadura e vamos nos acertar lá fora"...e para o delírio dos fãs isso acontece aqui. O embate entre esses o Capitão e o Homem de Ferro é um dos pontos mais fortes do filme, quando o "pau quebra" entre os dois é muito gratificante.

A ação

A ação de Guerra Civil é espetacular. Aqui temos uma ação em escala menor, real, humana e possível, muito bem lapidada com efeitos especiais. A impressão que é passada nas cenas é de que o telespectador está dentro dela. Mudou a escala, o paradigma, algo que lembra muito os filmes antigos da franquia do Jason Bourne. Ação de "câmera na mão" faz com que o CGI seja indispensável e não gratuito. Nesse novo filme do Capitão América o grande trunfo é trazer todos os elementos do filme para o íntimo e pessoal, e toda ação é próxima do telespectador. Os irmãos Russo filmam tão bem, que espantam, aqui eles (os personagens) partem "pro braço" mesmo e tiram o fôlego da plateia em cada tomada. É essa experiência que se espera de um filme de ação.

Conclusão

Capitão América: Guerra Civil é tão bom, mas tão bom que eu tenho a sensação de que os filmes de heróis daqui para frente terão que rever seus conceitos e em certos casos de filmes que estão em produção terão que voltar e rever tudo, pois o nível ficou elevadíssimo. A Marvel aumentou os parâmetros para esse segmento. A Guerra Civil apesar de ser um filme do Capitão América, é também um filme que Vingadores: a era de Ultron deveria ter sido com seus pontos de atrito e pontos de contato. Resumindo, Capitão América: Guerra Civil é extraordinário e só aumenta a expectativa para “Infinity War”.

Direção: Joe e Anthony Russo;
Roteiro: Christopher Markus e Stephen McFeely;
Elenco: Chris Evans, Robert Downey Jr., Scarlett Johansson, Sebastian Stan, Anthony Mackie, Don Cheadle, Jeremy Renner, Chadwick Boseman, Paul Bettany, Elizabeth Olsen, Paul Rudd e outros;
Gênero: Ação, aventura e comédia
Duração: 155 minutos (2h35min)

Sinopse: Steve Rogers (Chris Evans) é o atual líder dos Vingadores, super-grupo de heróis formado por Viúva Negra (Scarlett Johansson), Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen), Visão (Paul Bettany), Falcão (Anthony Mackie) e Máquina de Combate (Don Cheadle). O ataque de Ultron fez com que os políticos buscassem algum meio de controlar os super-heróis, já que seus atos afetam toda a humanidade. Tal decisão coloca o Capitão América em rota de colisão com Tony Stark (Robert Downey Jr.), o Homem de Ferro.
Trailer
Galeria
 
 


 
 
 

Esta foi nossa resenha sobre o novo filme da Marvel Studios, esperamos que tenha gostado e aguardamos o seu retorno novamente em nosso quadro Replay Cine. Duvidas ou sugestões comente logo abaixo, inter!

2 comentários:

  1. Eai Neandr Andrade, blz cara.
    Cara curtir muito a sua resenha! Tbém estou com a impressão de que, os futuros filmes de super-heróis deverão rever alguns conceitos de produção e mais ainda, de roteirização. Guerra civil conseguiu atrair o público com uma trama cheia de ação, comédia e sem um grande vilão. Mas quem precisa de um grande vilão, quando se tem uma tremenda treta entre os vingadores, no filme do capitão América? Pra quê, um grande vilão quando há um conflito ideológico entre Steve Rogers e Tony Stark? Qual a necessidade de um grande vilão, quando junta-se a Feiticeira Escarlate, o Visão, a Viúva Negra, o Homem Formiga, o Gavião Arqueiro, o Pantera Negra, o Homem-Aranha (concordo! O melhor homem aranha dos cinemas), o Homem de Ferro num filme do Capitão América? No filme há o (Barão) Zemo, que personifica o mal necessário por trás dos acontecimentos que motivaram o fight entre os super-heróis. Porém como o Neandr afirma em sua resenha, o "Barão" Zemo não é um vilão forte. Acredito que o conflito entre Tony Stark e Steve Rogers poderia ter se desencadeado sem a participação de Zemo. Sabe-se que Rogers já estava relutante em assinar qualquer documento em que, cederia-se poderes para uma ingerência das Nações Unidas nas ações dos Vingadores, isto antes das ações de Zemo. Entretanto tenho que destaca que a maior contribuição de Zemo foi reunir Bucky Barnes, Tony Stark e Steve Rogers numa antiga base militar russa, numas das melhores cenas do filme, a briga entre estes três personagens. Portanto Guerra civil é uma guerra entre dois super-heróis, de tempos diferentes, de mentalidades totalmente oposta e de razões particulares. Estas razões foram e sempre serão o motivo de confronto e atração entre o Homem de ferro e o Capitão América.

    Att,
    Tiago R. Labre

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    1. Grande Tiago... falou muito melhor que eu.
      Fico feliz com o seu comentário e os adendos que fez, valeu a força e o prestígio, mano!

      Deus te faça feliz!

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